Filhos que não ajudam em casa: a resposta curta
Pare de cobrar tarefa por tarefa e mude a organização. Na prática: torne visível o que a família inteira faz, pais incluídos; dê a cada filho tarefas completas, em vez de pedir uma ajudinha aqui e ali; e, com o adolescente, negocie como entre adultos que dividem a mesma casa.
Se você está lendo isto, provavelmente conhece a cena: você repete as mesmas instruções, acaba fazendo tudo no lugar deles e tem a impressão de ser a única pessoa da casa que vê o que precisa ser feito. Não é falta de autoridade, nem uma questão de personalidade: é a organização da casa que deixa tudo nas suas costas. O método a seguir se adapta a cada idade, da criança pequena ao filho adulto que ainda mora com você.
- Antes dos 10 anos: tarefas só deles, e visíveis.
- O adolescente: a equidade em vez da obediência.
- O filho adulto: a regra de quem divide apartamento.
- Para todos: uma contagem em que aparece a família inteira, pais incluídos.
Por que as cobranças não funcionam
Cada “você pode esvaziar a lava-louças?” faz de você o gerente de projetos da casa. É você quem percebe, você quem decide, você quem pede e, depois, você quem confere. A criança só tem uma coisa a fazer: esperar que alguém peça. E, se esperar o bastante, muitas vezes outra pessoa acaba fazendo.
- O pedido pontual deixa para os pais todo o trabalho de pensar. A criança executa o que mandam, mas não assume nada: nem a tarefa, nem a preocupação de que ela seja feita.
- A repetição desgasta a relação. No terceiro pedido, o tom sobe, e a discussão passa a ser sobre o tom, e não sobre a tarefa.
- Fazer pela criança confirma a regra implícita: esse trabalho não é dela, já que outra pessoa sempre se encarrega dele.
O problema, portanto, não é só que os seus filhos “não querem fazer nada”. É que nada, na organização da casa, confia de fato alguma coisa a eles. As seções a seguir mudam isso, idade por idade.
O FairChore aplica esta ideia no dia a dia: cada tarefa vale pontos e o total da casa fica sempre a zero. É por isso que se usa a várias pessoas: crie a casa e envie o link de convite a quem vive consigo. Gratuito, sem publicidade, nada para instalar.
Criar a nossa casa gratuitamenteAntes dos 10 anos: tarefas só deles, e visíveis
Uma tarefa que pertence à criança é mais fácil de acompanhar, para ela e para você, do que uma ajuda pedida de passagem. Em vez de chamá-la para “ajudar”, confie a ela uma ou duas tarefas do começo ao fim: é ela quem dá comida ao gato, ela quem põe a mesa à noite, ela quem guarda os sapatos quando chega em casa.
- Só uma ou duas tarefas, sempre as mesmas durante algumas semanas, o tempo de virarem hábito.
- Tarefas completas, com começo e fim claros: “pôr a mesa”, e não “me ajuda um pouquinho”.
- Um quadro que ela veja, na altura dela, onde se anota o que foi feito. Para uma criança que ainda não lê, desenhos bastam.
- Um resultado aceito do jeito que ficou. Uma mesa posta meio torta continua sendo uma mesa posta. Refazer depois dela ensina, acima de tudo, que o trabalho dela não conta.
Que tarefas dar a cada idade? A lista detalhada, faixa etária por faixa etária, está no nosso guia para envolver as crianças nas tarefas domésticas de acordo com a idade. Aqui, o essencial é outro: que a tarefa seja dela, e que a família inteira veja que ela foi feita.
Meu filho adolescente não quer fazer nada em casa: o que fazer?
Com um adolescente, a situação muda. Ele sabe fazer: já esvaziou a lava-louças dezenas de vezes. Ele não quer, deixa para depois, ou faz a tarefa tão mal que ninguém pede de novo. Os pedidos que funcionavam quando ele tinha oito anos não funcionam mais, porque ele não aceita mais que digam o que fazer só porque você é o pai ou a mãe.
Mude, então, o argumento: fale de equidade, e não de obediência. “Todo mundo mora aqui, então todo mundo participa” tem uma vantagem sobre “faça porque eu mandei”: a regra vale para todos, pais incluídos, e fica difícil para um adolescente contestá-la sem contestar o próprio lugar na casa.
- Deixar que ele escolha as tarefas. Da lista do que precisa ser feito, ele pega a parte dele, mas é ele quem escolhe qual.
- Deixar que ele escolha o momento. “O lixo tem que estar lá fora antes da coleta” em vez de “leva o lixo lá para fora agora”. O que conta é o prazo, não a hora.
- Combinar um mínimo e depois aceitar o jeito dele de fazer. Decidam juntos o que quer dizer “feito”. Acima desse mínimo, não comente.
- Falar da regra, não dele. “Aqui em casa, cada um faz a sua parte” fala da regra; “você nunca faz nada” fala da pessoa, e a coloca na defensiva.
Por fim, deixe que ele veja o mesmo que um adulto vê. Um adolescente que vê o que cada um faz, os pais incluídos, tem menos motivos para achar que estão pedindo mais dele do que dos outros.
Filhos adultos que ainda moram em casa
Quando o filho tem dezoito, vinte ou vinte e cinco anos e continua morando com os pais, a palavra “ajudar” engana. Ele não ajuda: ele mora ali. A regra mais simples é a que vale entre quem divide apartamento: uma parte das tarefas proporcional ao lugar que ele ocupa na casa.
- As coisas e o quarto dele, totalmente por conta dele: é o mínimo para qualquer pessoa que divide apartamento.
- Uma parte das tarefas comuns: cozinha, compras, roupa de cama e banho, lixo, banheiro.
- Uma parte ajustada à situação dele: um estudante em época de provas ou um jovem que trabalha em horários fora do comum pode assumir tarefas diferentes, mas não pode ficar sem nenhuma.
Estabeleça essa regra como faria com alguém que divide apartamento com você: uma vez, com calma, a partir da lista do que precisa ser feito, e depois com uma conversa regular para ajustá-la. Já não é um pedido de pai ou mãe para filho, é um acordo entre adultos que dividem a mesma casa.
Tornar visível o que todo mundo faz, pais incluídos
Este é o ponto do qual depende todo o resto. Uma criança que vê num quadro só as próprias obrigações vive isso como um castigo: existe uma lista, e é para ela. Uma contagem em que aparecem também as tarefas dos pais vira uma regra comum: todo mundo está nela, todo mundo contribui, e todo mundo vê o que os outros fazem.
É isso que o FairChore permite. Quando alguém faz uma tarefa, o valor dela é dividido entre as pessoas envolvidas: quem fez ganha pontos, e os outros envolvidos devem a parte que lhes cabe. O total da casa fica em zero. O saldo de cada um vai se acumulando desde o primeiro dia: ele nunca é zerado.
Cada membro da família entra do seu jeito:
- O outro pai ou mãe e o adolescente. Para o outro pai ou mãe, ou um filho adolescente, entrar na casa, o FairChore dá a você um link de convite para enviar a ele. Segundo os Termos de Serviço do FairChore, um adolescente pode ter a própria conta a partir dos 13 anos, com a autorização de um dos pais antes dos 16; depois, ele entra na casa pelo link de convite.
- O mais novo. Para uma criança nova demais para ter a própria conta, o pai ou a mãe que gerencia a casa no FairChore cria uma conta gerenciada: a criança não faz login por conta própria. O pai ou a mãe que criou a conta gerenciada pode trocar para o perfil da criança, para que a própria criança anote o que fez.
Vale insistir num ponto: a casa inteira precisa estar lá, ou o saldo não diz nada. Se só as crianças anotam o que fazem, você volta ao quadro de tarefas que parece castigo. Se os pais também anotam o que fazem, o saldo vira o que deve ser: uma medida comum, que ninguém usa contra ninguém.
Recompensar ou não?
É a pergunta que muitos pais se fazem: é preciso pagar pelas tarefas, ou ligá-las à mesada? Não existe uma resposta única, e cada família decide de um jeito.
- A favor: uma recompensa concreta pode ajudar a criar um hábito, e associa o trabalho a um valor.
- Contra: se toda tarefa é paga, uma tarefa não paga vira uma tarefa que dá para recusar, e participar da vida da casa vira opcional.
- Meio-termo: algumas famílias separam os dois assuntos, com tarefas básicas que cada um faz porque mora ali, e tarefas extras, opcionais, que podem render algum dinheiro.
Seja qual for a sua escolha, decida com antecedência e deixe por escrito, para que a regra não seja renegociada a cada pedido. Se a questão da mesada ocupa a sua cabeça, há outro artigo neste blog dedicado a ela.
O que não funciona
Algumas reações são compreensíveis quando bate o cansaço de repetir. Mas elas alimentam o problema que querem resolver.
- Fazer pela criança, suspirando. A tarefa fica feita, o suspiro é ouvido, e a criança guarda sobretudo que outra pessoa sempre acaba cuidando disso.
- O castigo sem regra escrita. Castigar por uma tarefa que nunca foi claramente confiada parece injusto, e a criança discute o castigo em vez da tarefa.
- Mudar as regras toda semana. Uma organização que varia conforme o humor ou o cansaço não se aprende. Mais vale uma regra modesta que se mantém do que uma regra ambiciosa abandonada depois de dez dias.
Em vez disso, guarde três coisas simples: tarefas confiadas de uma vez por todas, uma regra escrita e igual para todos, e uma contagem que a família inteira vê. Comece pequeno, com uma tarefa por filho e uma conversa rápida por semana, e ajuste a partir daí.